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quinta-feira, 10 de março de 2011

A CAMINHO DO FUNDO


Todos os indicadores políticos actuais, consubstanciados pelo discurso de posse do Cavaco, apontam no seguinte caminho: a brigada laranja ocupará o tacho brevemente.

Nada surpreendente, mas extremamente preocupante, ou não fossem as linhas mestras de actuação do mais do que certo próximo executivo, tornadas públicas recentemente, baseadas nas seguintes máximas: privatizar, reduzir ao mínimo o sector público/estatal, reduzir direitos dos trabalhadores e satisfazer as pretensões da classe empresarial/dirigente chupista nacional.

Tap e RTP serão as primeiras a sofrer as consequências, mas de seguida virá à rede tudo o que é peixe, e será um forrobodó de privatizações sem paralelo.

No sector laboral, os trabalhadores verão ainda mais reduzidos os seus já parcos direitos e serão tratados como produto de consumo imediato, ao estilo mastiga e deita fora - mais facilidade no despedimento, menores indemnizações, contratação cada vez mais precária, flexibilização de horários e turnos, diminuição da contratação colectiva em prol do contrato de empresa.

Com o país mais do que hipotecado, à beira da falência, a pagar juros da dívida seis vezes maiores do que pagava há 4 anos atrás, resta saber se valerá tudo para satisfazer os credores, e se esse “tudo” incluirá o fim do sistema. É que se assim é, até valerá a pena.

Se é mais do que certo que bateremos no fundo, também é certo que o caminho que trilharemos será mais curto para lá chegar. E, se calhar, ainda bem. O Povo é quem mais ordena.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

RECESSÃO?!...



Parece que o país entrou novamente em recessão económica, isto de acordo com o modo de avaliação técnica utilizado para o efeito (2 trimestres consecutivos com crescimento negativo). A notícia é tão banal que a populaça já nem liga pívia, pois para a maioria a sensação é de que vivemos em recessão constante. E não só a nível económico mas também de ideias e de alternativas. “Deixa andar” é a filosofia vigente.

A coisa é tão ou mais engrançada que, enquanto há uns anos atrás se dava o cu e cinco tostões para abarbatar a cadeira do poder, agora até a brigada laranja, pertencente à pseudo-democracia alternadeira cá do burgo, foge a sete pés do poder oferecido de mão beijada. Melhor do que nós eles sabem bem o quanto negro se apresenta o cenário actual, de cuja responsabilidade não podem fugir, tanto eles como os congéneres da brigada rosa.



Aproveito o meu tempo de antena para deixar uma palavra de solidariedade para com todos os grevistas, e especialmente para com os da CP que estão actualmente envolvidos numa luta justa. Ontem, em conversa com um revisor da empresa, o mesmo confidenciou-me que o regabofe continua, embora camuflado. Retirados que foram os prémios exorbitantes anuais aos senhores gestores/administradores/directores da CP, os mesmo não se fizeram rogados e trataram de aumentar os plafonds dos cartões de crédito de forma a compensar a “perda”.

Pois é, enquanto se corta nas prestações sociais, nos abonos de família, nos medicamentos comparticipados, etc, os meninos chico-espertos de sempre continuam a banquetear-se de qualquer forma e a encher o saco da reforma dourada. Pior do que tudo, com a contemplação do povinho subjugado, descrente, desmotivado, passivo e acarneirado.