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quinta-feira, 10 de março de 2011

A CAMINHO DO FUNDO


Todos os indicadores políticos actuais, consubstanciados pelo discurso de posse do Cavaco, apontam no seguinte caminho: a brigada laranja ocupará o tacho brevemente.

Nada surpreendente, mas extremamente preocupante, ou não fossem as linhas mestras de actuação do mais do que certo próximo executivo, tornadas públicas recentemente, baseadas nas seguintes máximas: privatizar, reduzir ao mínimo o sector público/estatal, reduzir direitos dos trabalhadores e satisfazer as pretensões da classe empresarial/dirigente chupista nacional.

Tap e RTP serão as primeiras a sofrer as consequências, mas de seguida virá à rede tudo o que é peixe, e será um forrobodó de privatizações sem paralelo.

No sector laboral, os trabalhadores verão ainda mais reduzidos os seus já parcos direitos e serão tratados como produto de consumo imediato, ao estilo mastiga e deita fora - mais facilidade no despedimento, menores indemnizações, contratação cada vez mais precária, flexibilização de horários e turnos, diminuição da contratação colectiva em prol do contrato de empresa.

Com o país mais do que hipotecado, à beira da falência, a pagar juros da dívida seis vezes maiores do que pagava há 4 anos atrás, resta saber se valerá tudo para satisfazer os credores, e se esse “tudo” incluirá o fim do sistema. É que se assim é, até valerá a pena.

Se é mais do que certo que bateremos no fundo, também é certo que o caminho que trilharemos será mais curto para lá chegar. E, se calhar, ainda bem. O Povo é quem mais ordena.