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quinta-feira, 3 de março de 2011

OS LUSÍADAS REESCRITOS

Como escreveria hoje, Camões, os Lusíadas ...

se vivesse nestes tempos da nossa " modernidade pulhitica " !

I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Douro onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

(recebido por emílio)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ABAIXO AS PORTAGENS E OS PARQUÍMETROS!


Sou radicalmente contra portagens e parquímetros. Em primeiro lugar porque são um maná para encher os bolsos a administradores, directores e afins das empresas gestoras, escoados dos gabinetes políticos através dos triviais compadrios e jogos de interesses, e em segundo lugar porque são um atentado à liberdade de circulação e estacionamento e uma sobrecarga de taxas e impostos muitas vezes injustificada.
Os efeitos nefastos deste sanguessuguismo militante começam agora a manifestar-se no centro do país, resultado da recente introdução de sistemas de pagamento irracionais nas scut da zona norte que, pelos vistos e segundo as entidades representativas do sector do turismo e hotelaria, já provocaram vários cancelamentos em alojamento e uma grande quebra na afluência de turistas, designadamente da Galiza e Espanha.
É triste que um país que pouco ou nada já produz - e o pouco que produz é através de multinacionais estrangeiras – se dê ao luxo de desperdiçar receitas preciosas, condicionando a circulação de nacionais e estrangeiros, estrangulando economias locais que tinham como base de subsistência o turismo e todo uma vasto satélite de actividades que gira em seu torno.
Enfim, nenhuma novidade, mas simplesmente mais uma constatação da qualidade rasca dos políticos que nos desgovernam.
A bem da nação.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PACOTINHOS DE CRISE

Não restam dúvidas de que as políticas comunitárias desenhadas pelos políticos rascos e tachistas que nos desgovernam, consubstanciadas numa lógica capitalista de mercado, têm conduzido a uma pré-falência dos ideais para que supostamente a União Europeia foi criada: progresso social e económico para uma comunidade alargada de diversos países, culturas e povos que coabitam geograficamente numa determinada região.
O elevado desemprego que grassa por diversos países e que, consequentemente, conduz à pobreza e aumenta o fosso entre os mais ricos e os mais pobres e as medidas de contenção impostas aos mais desfavorecidos por irresponsáveis desgovernativos, que agora pretendem corrigir o mal com um remédio que fará pior que a doença, irão certamente facilitar o despoletamento da insatisfação social em larga escala com um previsível aumento da revolta e violência. Não nos podemos esquecer que o aumento da violência é geralmente proporcional ao aumento da degradação social.
Os pacotinhos de explosivos remetidos pelos gregos, que surgem no culminar de um longo período de contestação popular, bem assim como as greves e manifestações a que ultimamente assistimos na França, são apenas a ponta do rastilho. A crise está, agora sim, prestes a começar. E vai gradualmente agravar-se à medida que os adormecidos da sociedade comecem a despertar da anestesia a que foram sujeitos pelos intérpretes do sistema.