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terça-feira, 23 de novembro de 2010

FOME

Agora sim, é que parece que a coisa começou a sério. Segundo notícia dos meios de comunicação social, fechou a semana passada o hipermercado E. Leclerc em Lagoa, e já esta semana o Intermarché do Bombarral, ambos, segundo consta, por grandes quebras nas vendas e falta de escoamento dos produtos. Muitos outros provavelmente serão forçados a encerrar pelo mesmo motivo, atirando mais umas centenas para o desemprego.
Ou seja, a miséria e a fome, até há pouco encapuzadas e camufladas de pudor e vergonha, começam agora a mostrar a sua face mais vísivel. Se até há algum tempo atrás ainda havia dinheiro, por pouco que fosse, para as marcas brancas, agora ao que parece o plafond esgotou!
Por um lado, pese embora a tragédia advinda de tal situação, dá-me alguma satisfação o encerramento dessas mecas do consumismo desenfreado, baluartes do mais pérfido capitalismo e antros da lógica de mercado, esse mesmo que rebentou a bolha que sustentava o sistema que agora atinge a podridão total.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A VERDADEIRA GUERRA: A GUERRA CONTRA A EXPLORAÇÃO

Passado o folclore mediático da Cimeira da Guerra, com os avultados gastos sacados ao erário público para a sua realização - apesar do desgoverno afirmar que as inúmeras delegações e os respectvos séquitos foram alojados a expensas próprias, mas esquecendo-se de referir a brutal despesa com recursos humanos, catering, jantares oficiais, mobilização e deslocalização de efectivos policiais e de meios de emergência, como protecção civil, bombeiros, médicos, ambulâncias, etc, já para não mencionar o combustível queimado pelas viaturas, helicópteros e afins, os usuais transtornos causados à população e a machadada da ordem na produtividade nacional que os desgovernantes tão assíduamente apregoam como urgente incrementar -, é agora tempo de nos voltarmos a debruçar sobre as questões mais prementes e concretas do nosso quotidiano, como seja a questão laboral, cavalo de batalha deste vosso amigo marreta de profissão.
Pois meus caros, não é de agora que insisto que esta merda vai rebentar toda pelas costuras quando o desemprego chegar para aí aos 20%, o que sinceramente não julgo irá tardar. Com o que se me depara analisar no dia-a-dia da realidade palpável e não estatística, os tempos negros ainda estão para vir, assim como negra será a fome e a miséria provocada pelas medidas anti-sociais desgovernativas e pela moda da liberalização de tudo o que possa ser passível de arrancar o súor de quem trabalha e encher o bandulho de quem explora.
É que meus amigos, não há lugar a ilusões, a verdadeira “guerra” é a dos pobres contra os ricos, dos explorados contra os exploradores, da honestidade, dignidade e trabalho contra o compadrio, corrupção e chupismo. Não há lugar a ilusões quando a corja nos tenta atirar para os olhos entusiásticos malabarismos para nos convencer de que quanto mais abdicarmos dos nosso direitos conquistados, quantos mais flexíveis formos, quanto mais prescindirmos da nossa firmeza e inflexibilidade, maior será a prosperidade e produtividade e mais rapidamente sairemos da crise provocada por eles.
Tudo balelas esgrimidas por quem quer a todo o custo manter os privilégios e a opolência conquistados e alimentados por jogos de bastidores de compadrio urdidos em comunhão de interesses. O jogo deles (chupistas, exploradores, especuladores, banqueiros, políticos, administradores, gestores) é o de sempre: tentar manter os privilégios e as mordomias subjugando e explorando os mais fracos.
Não tenhamos ilusões, a prosperidade e o progresso social não se atingem com esta escumalha parasita pseudo-mandatada. Podre está o sistema, e o sistema continua a ser  alimentado por esterco das piores proveniências. Pior, com o aval do Povo.